ENTREVISTA REÚSA – Resíduos Perigosos: o que é preciso saber sobre o tema?

É comum encontrarmos atividades industriais que geram/manuseiam enormes quantidades de resíduos perigosos durante uma jornada normal de trabalho. Tal situação, a princípio, pode ser classificada por muitas pessoas como sendo apenas mais uma tarefa industrial, entretanto, quando se trata de resíduos perigosos em um ambiente de ocupacional, existe uma série de fatores (desde segurança até responsabilidade socioambiental) que precisam ser considerados.

Em vista disso, com o intuito de explicar o que são resíduos perigosos, bem como as suas classificações e o descarte correto desse tipo de material, preparamos uma entrevista com um profissional especialista no assunto, o engenheiro civil, mestre em saneamento e ambiente, Paulo Henrique Bellingieri, Diretor da Reúsa. Acompanhe!

O que são os resíduos perigosos?

De acordo com o engenheiro Paulo Henrique, resíduos perigosos são todos os materiais que, por determinadas características, representam riscos (de ordem física, química ou biológica) tanto para a saúde humana quanto para o meio ambiente.

Tal classificação pode aparentar uma impressão de que esses resíduos são encontrados apenas no meio industrial, contudo, como ressaltado por Paulo, essas situações são observadas em vários materiais com os quais temos contato diário. Um exemplo clássico é o óleo de cozinha presente na água, o qual tem potencial para poluir o solo e lençóis freáticos quando despejado de forma irresponsável.

Outro exemplo são as pilhas, baterias e lâmpadas fluorescentes de vapor de sódio e mercúrio, os quais são resíduos que representam em enormes riscos químicos para nós.

Se em um ambiente domiciliar já é bastante comum encontrarmos esses resíduos perigosos, Paulo aponta ainda que na indústria a presença desse tipo de material é frequente em praticamente todos os ramos, com destaque para as indústrias químicas e agroquímicas.

Quais são os tipos de resíduos perigosos?

Por se tratarem de elementos que têm diferentes características físico-químicas (tais como odor, estado físico, pH, ponto de fulgor e entre outras), os resíduos perigosos seguem uma classificação própria, a qual é realizada com base nos riscos que eles podem gerar à saúde humana e ao meio ambiente.

Neste contexto, de acordo com o Diretor da Reúsa, os resíduos perigosos são distinguidos em:

  • corrosivos — pilhas, baterias e substâncias ácidas em geral;
  • tóxicos — como o alumínio e o manganês;
  • inflamáveis — combustíveis de origem fóssil em geral;
  • reativos — qualquer elemento químico que, quando misturado com a água, gera fluidos tóxicos;
  • poluentes — óleo, mercúrio e afins;
  • oxidantes — sendo o mais comum o peróxido de hidrogênio, popularmente chamado de água oxigenada;
  • carcinogênicos — todos os elementos que têm potencial cancerígeno, tais como o formol e o amianto.

Um detalhe interessante e que foi destacado durante essa entrevista é que existe a possibilidade de um mesmo material se enquadrar em mais de uma classe. Isto é, a tarefa de separar/classificar esses resíduos perigosos precisa ser realizada com muita atenção, já que negligenciar uma dada característica química de um elemento pode ocasionar posteriormente em situações com riscos fora de controle.

Como fazer o armazenamento e descarte corretos dos resíduos perigosos?

Quanto ao armazenamento correto dos resíduos perigosos, Paulo Henrique aponta que é preciso seguir a norma NBR 12235 – Armazenamento de Resíduos Sólidos Perigosos.

Deste modo, de acordo com a NBR 12235:

  • o armazenamento de resíduos perigosos precisa ser executado de forma a não modificar a quantidade e a qualidade do resíduo, bem como também considerar eventuais incompatibilidades entre substâncias e as possibilidades de haver acidentes que podem afetar o resíduo e colocar em risco pessoas ou o ambiente;
  • cabe ao gerador dos resíduos perigosos planejar de forma segura o armazenamento desse tipo de material em suas dependências, levando em conta as características da construção do abrigo e das embalagens dos materiais;
  • é de responsabilidade do gerador buscar pela solução mais adequada para todos os seus resíduos perigosos gerados, ou seja, jamais deverão ser descartados em locais de despejo de resíduos comuns.

Neste contexto, o correto descarte desses elementos passa por fases de: caracterização e classificação dos resíduos perigoso; compreensão das possibilidades legais de descarte, bem como a maneira correta de armazenamento; e por fim a escolha de alternativas com um bom custo-benefício ao meio ambiente e ao gerador.

Uma excelente alternativa é buscar por empresas especializadas na valorização, tratamento e destinação final ambientalmente adequada desses resíduos perigosos, as quais ficarão encarregadas de definir qual é o melhor processo para cada material (incineração, reaproveitamento em processos de recuperação energética, blendagem para fins de coprocessamento, reciclagens, remanufaturamento, descaracterização entre outros).

Quais cuidados devem ser tomados no manejo de resíduos perigosos?

Como já destacado pelo Paulo Henrique na entrevista, por se tratarem de materiais que envolvem algum risco para a saúde e o meio ambiente, é preciso ter alguns cuidados no manejo de resíduos perigosos.

Dentre esses cuidados, os que se destacam são:

  • identificar previamente todas as características físico-químicas e/ou biológicas dos elementos envolvidos e, posteriormente, garantir que os Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s) estejam adequados aos riscos da tarefa;
  • assegurar que apenas os colaboradores capacitados e devidamente equipados entrarão em contato com os resíduos perigosos;
  • garantir que o manuseio seja realizado com a utilização de ferramentas e infraestrutura mínima adequada, a qual engloba a disponibilização de toda a linha de EPI’s, embalagens e equipamentos especiais;
  • verificar se o equipamento de proteção individual (caso seja descartável) também passe por processos adequados de descarte.

 A obrigatoriedade do descarte correto de resíduos perigosos

Por fim, o Diretor da Reúsa enfatiza que o descarte correto de resíduos perigosos está previsto em lei, mais precisamente a Lei 12.305/10, que especifica quais são as possíveis penalidades para as empresas que negligenciam essa questão.

Para exemplificar, pelo descarte incorreto de resíduos as empresas podem responder na justiça por crimes ambientais, pagamento de multas e até mesmo ter o alvará de funcionamento suspenso.

Portanto, após a leitura deste artigo fica mais simples de compreender o quão importante o tema resíduos perigosos é, seja na indústria, seja no ambiente domiciliar. Vale lembrar ainda que a empresa que garante o correto descarte desse tipo de material garante vantagens tanto para o meio ambiente quanto para os seus colaboradores, já que isso afeta diretamente os níveis de segurança do trabalho de uma indústria.

Está procurando por uma empresa especializada no gerenciamento de resíduos perigosos? Entre em contato conosco e veja todas as vantagens que a Reúsa oferece aos seus clientes!

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